quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro de 1910 no Rossio em Lisboa



Esta era a fotografia que exercia um certo fascínio em mim. Estava na sala em lugar bem visível. Eu era bem pequena, andava na escola mas ainda não estudava história. Diziam-me que era uma fotografia do meu avô, o pai do meu pai.
Coisa esquisita mesmo, era que ele mal se via com tantos homens á sua volta tendo até um deles uma espingarda levantada bem alto! Bem, isso não devia ser grave porque eles estavam todos com ar feliz, pensava eu com a minha mentalidade infantil!
Depois olhava para ele e não o achava muito parecido, eu ainda não percebia que as pessoas envelhecem e mudam. Ele ria-se quando eu lhe perguntava: És mesmo tu avô?
O tempo passa, nós crescemos, estudamos história e finalmente compreendi! Aquela fotografia tinha sido tirada no Rossio a 5 de Outubro de 1910. O meu avô era republicano!
O certo é que havia lá por casa uma fotografia em que, ele e outros, estavam com o rei D. Carlos e eu sabia que ele tinha trabalhado para o Marquês de Pombal de quem era muito Amigo e com quem me cruzava quase todos os dias quando vinha da escola!
Muito mais tarde, já adulta e interessada no assunto, entendi que politica e Amigos não se devem misturar se os queremos conservar.
Percebi ainda que havia monárquicos, como o Visconde da Ribeira Brava que também está na foto, com ideias republicanas assim como hoje ainda temos quem defenda a Monarquia…
E hoje, porque é dia 5 de Outubro, publico mais uma foto de que falo sendo que voltarei ao assunto com outras fotos antigas como a que se encontra abaixo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Internacional dos Direitos dos Animais



Hoje é o Dia Internacional dos Direitos dos Animais.
Quando pensamos nisto, a nossa mente pensa nos animais domésticos mais comuns, como o cão, o gato, o passarinho que canta na gaiola ou até no peixinho vermelho que se encontra no aquário e a quem damos comida uma vez por dia.
Ter um animal doméstico em casa envolve despesa, trabalho, disponibilidade. A decisão de o ter ou não requer reflexão e não deve ser tomada sem medir todas as consequências. Há que pensar no que se faz nas férias, se há ou não amigos ou familiares disponíveis para dar uma ajuda, nas doenças, nas vacinas, na reprodução. Há ou não tempo para brincar, mimar e educar?
No caso dos cães é preciso não esquecer que são sempre o reflexo daquilo que os donos fizeram deles e de como os educaram. Conheci um Rottweiler, que via com muito pouca assiduidade, mas que no entanto tinha por mim uma grande empatia e que me demonstrava o seu afecto correndo para mim sempre que me via. Quando eu me fazia desentendida ele encarregava-se de me fazer notar a sua presença metendo as minhas mãos dentro da sua enorme boca sem nunca magoar!
Mas hoje é o dia de TODOS os animais.  
E como todos os animais também são seres vivos, existe uma declaração que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela UNESCO, e posteriormente, pela ONU que passo a transcrever:

Artigo 1º
1. Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.


Artigo 2º
1.
Todo o animal tem o direito de ser respeitado.
2. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais ou de os explorar, violando esse direito. Tem a obrigação de empregar os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3. Todos os animais têm direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.


Artigo 3º
1. Nenhum animal será submetido a maus tratos nem a actos cruéis.
2. Se a morte de um animal é necessária, esta deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.


Artigo 4º
1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e a reproduzir-se.
2. Toda a privação de liberdade, incluindo aquela que tenha fins educativos, é contrária a este direito.


Artigo 5º
1. Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente em contacto com o homem, tem o direito a viver e a crescer ao ritmo das condições de vida e liberdade que sejam próprias da sua espécie.
2. Toda a modificação do dito ritmo ou das ditas condições, que seja imposta pelo homem com fins comerciais, é contrária ao referido direito.


Artigo 6º
1. Todo o animal que o homem tenha escolhido por companheiro, tem direito a que a duração da sua vida seja conforme à sua longevidade natural.
2. O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.


Artigo 7º
1. Todo o animal de trabalho tem direito a um limite razoável de tempo e intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.


Artigo 8º
1. A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentações médicas, cientificas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentação.
2. As técnicas experimentais alternativas devem ser utilizadas e desenvolvidas.


Artigo 9º
1. Quando um animal é criado para a alimentação humana, deve ser nutrido, instalado e transportado, assim como sacrificado sem que desses actos resulte para ele motivo de ansiedade ou de dor.


Artigo 10º
1. Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem.
2. As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.


Artigo 11º
1. Todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida.


Artigo 12º
1. Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um crime contra a espécie.
2. A contaminação e destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.


Artigo 13º
1. Um animal morto deve ser tratado com respeito.
2. As cenas de violência nas quais os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se essas cenas têm como fim mostrar os atentados contra os direitos do animal.


Artigo 14º
1. Os organismos de protecção e salvaguarda dos animais devem ser representados a nível governamental.
2. Os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem.
E não se esqueça que:

O dinheiro comprará um lindo cão, mas jamais comprará o abanar do seu rabo .
Henry Wheeler Shaw


A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.
Mahatma Gandhi

terça-feira, 21 de junho de 2011

Santos Populares

     
A minha infância foi vivida numas águas furtadas da Rua do Alecrim. Na época era uma rua que nada tem a ver com o que por lá se passa hoje.

De quando em quando passava um eléctrico, um carro e havia pouca gente que nunca parecia apressada.

Quando comecei a ir á escola fui acompanhada nos primeiros dias.

Algum tempo depois, passei a ir sozinha cheia de importância e responsabilidade, descendo a rua sob a vigilância da minha mãe que se mantinha à janela, até eu dobrar a esquina ao fundo da rua e lhe desaparecer da vista.

Daquela janela via-se o rio, os barcos para Cacilhas. Mais tarde, em Maio de 1959, passou a fazer parte da paisagem o Cristo Rei e em Agosto de 1966 a Ponte sobre o Tio Tejo.

Hoje, já não há eléctricos, os carros fazem filas compactas, os autocarros esforçam-se na subida poluindo o ar, há passagens para peões, deixou de se ver a ponte porque um prédio cresceu em altura sem respeito pelos vizinhos. O Cristo Rei, esse ainda se deixa ver um bocadinho, de braços abertos, parecendo diminuído na sua importância.

As pessoas, essas então, quase correm para baixo e para cima por vezes arriscando a vida passando entre os carros para poupar tempo e não perderem o comboio ou para não chegarem atrasadas ao emprego. Hoje é preciso conservá-los…

Na minha meninice ainda havia gente a morar naquela rua. Havia pouca mas havia!

Em frente da minha janela, do outro lado da rua, havia crianças a brincar na rua. Invejosa, eu olhava da janela desejando também ter a possibilidade, que nunca tive, de brincar na rua.

Quando vinham os Santos Populares era um suplício.

Alguns dias antes do Santo António já as crianças montavam o trono do Santo. Manjericos, santinhos, cada um tentando fazer o trono mais bonito! Depois pediam um tostãozinho para o Santo António! E as pessoas paravam, olhavam e davam!

Eu sofria porque não me deixavam ir para a rua fazer um trono ao Santo António. Como era envergonhada pensava que não seria capaz de ir pedir mas que se pudesse fazia um trono tão bonito que ninguém ia resistir e ao fim do dia eu teria uma fortuna! Não me lembro para que queria o dinheiro! Talvez para um chocolate…

Depois cresci, as crianças foram-se embora, eu também e nunca mais vi tronos ao Santo António!

Foi por isso que há uns dias, em Guimarães, parei extasiada a olhar uma montra. Tinha um trono feito ao Santo António decorado com Santinhos cujas imagens continuam bem presentes nas minhas memórias de infância.

Não resisti a fotografar. Não resisti a partilhar, com quem tem a paciência de me ler, as memórias que acordaram em mim!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

1 de Junho - Dia da Criança em Portugal



O Dia Mundial da Criança é comemorado em Portugal no dia 1 de Junho, porém, esta data varia de país para país.

A ONU reconhece como Dia Universal da Criança o dia 20 de Novembro, data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança, sendo verdade que este dia foi comemorado, pela primeira vez, no mundo inteiro a 1 de Junho de 1950.

É desnecessário referir aqui todos os direitos da criança.

Eu diria apenas que toda a criança nasceu para ser protegida e amada, independentemente da sua raça, cor, sexo, língua, religião, riqueza e da sua condição social ou da sua família.

Mais do que falar dos direitos da criança deveríamos falar das nossas obrigações. E essas são tantas vezes esquecidas. Não chega cuidar das “nossas” crianças é preciso que cuidemos daquelas que estão, por vários motivos, desprotegidas.

Quantas crianças desaparecem sem deixar rasto? Quantas crianças são mortas pelos seus progenitores? Quantas crianças são violadas?

Quantas crianças morrem de fome, vítimas de guerra ou falta de protecção na saúde enquanto eu escrevo este texto?

É para tudo isso que devemos estar atentos e observadores.

É preciso não esquecer que aquilo que se passa na casa do vizinho do lado nos diz respeito se atenta contra os direitos da criança.

Por vezes precisamos de ter coragem!



sábado, 7 de maio de 2011

A Igreja que resistiu e o Sino da Esperança




 

A 11 de Setembro de 2001 a Igreja de St. Paul escapou milagrosamente á destruição quando os edifícios do World Trade Center eclodiram. Apesar dos destroços que cobriram o cemitério e o pó que cobriu a Igreja não houve danos materiais.
Quem visita esta capela dificilmente fica indiferente á carga emocional que ali está presente. É quase impossível que uma lágrima não nos caia pela face.
Foi ali que funcionou, com inúmeros voluntários, o ponto de apoio de todos os que trabalharam arduamente e dias a fio no resgate das vítimas.
Havia sempre uma refeição quente, um sumo, uma água, um sítio para estender o corpo e dormir um pouco. Ali cruzavam-se afectos e solidariedade no pleno sentido da palavra.
Numa altura em que Bin Laden foi morto e em que o terrorismo de Al-Qaeda sofreu uma derrota parece-me justo deixar aqui uma homenagem a todos os inocentes que morreram naquela altura.
Faço-o, com algumas fotos que tirei no local e deixando um link que sobre o assunto vos dirá muito mais do que eu, porque é sempre bom não esquecer e estar preparado para eventuais e novas atrocidades.
Recordo ainda que, em Setembro de 2002, a Igreja de St. Mary-le-Bow de Londres ofereceu á sua Igreja Irmã e como comemoração o Sino da Esperança.
Sinceramente espero que o Sino seja para sempre o simbolo de uma esperança renovada da vitória do Bem sobre o Mal.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dia Internacional do Café



Hoje poucos saberão, e eu confesso também não sabia, mas é o Dia Internacional do Café.

Para quem, como nós, está mergulhado em notícias de crise é extremamente importante recordarmos que ainda temos no nosso País coisas positivas.

A 28 de Março de 1931 nasceu em Campo Maior, no seio de uma família humilde, um homem que deveria servir de exemplo a muito boa gente.

Gente que anda por aí, sem valores e desbaratando riquezas que, a maioria das vezes nem sequer lhes pertence, contribuindo para que estejamos de mão estendida pedindo uma ajuda internacional que, sinceramente, a mim me envergonha.

E envergonha-me porque afinal trabalhei tanto quanto me foi pedido, cumpri e cumpro todas as minhas obrigações fiscais, não dispendo mais do que posso e por isso me faz uma grande confusão que em tempos de crise se gaste mais do que se produz... Mas adiante que me estou a desviar do assunto…

Falava eu de Manuel Rui Azinhais Nabeiro um Homem, daqueles com H grande, que hoje é Comendador mas que aos 13 anos começou a trabalhar ajudando a sua mãe numa pequena mercearia e o seu pai e tios na torra do café. Depois da morte do seu pai assumiu a rédea dos negócios e em 1961 constituiu a Delta Cafés que rapidamente se expandiu e divulgou por aí fora o nome de Portugal.

Respeitado por todos, teve sempre uma intervenção activa na sociedade apoiando instituições sociais de solidariedade, tendo sido inclusivamente Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior.

E é em Campo Maior que existe o único Museu do Café da Península Ibérica que merece uma visita que se termina saboreando um excelente café.

Neste museu podemos conhecer toda a história desde a plantação da planta  assim como os vários processos que o grão vai sofrendo até chegar ao sublime momento em que cheira agradavelmente na nossa chávena.

Encontramos, devidamente recuperada, a primeira carrinha de distribuição dos cafés Delta, no meio de moinhos, chávenas, latas e tudo quanto se utiliza neste milagre de prazer que é o nosso café Delta.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Portugal, Portugal estou farta de música rasca...


Hoje, na primeira página do Diário de Noticias, Passos Coelho afirma: Este pedido de ajuda faz-se para que os portugueses vivam com menos angústia.

Pouco mais abaixo sob o título Medidas, diz-se: Salário mínimo vai sofrer corte ou estagnar até 2014.

Terei aqui que afirmar que não pertenço nem sou militante de nenhum Partido Politico. Nunca participei numa manifestação. Gosto mais de as observar.

Fiquei assim quando antes do 25 de Abril de 1974 me vi, involuntariamente, no meio de uma manifestação de estudantes e de polícia de choque armada e com cães de dentes afiados! Ainda hoje estou para saber como o cão mesmo ao meu lado não me deu uma dentada e o polícia não fez uso da força.

Mais tarde, aquando do 25 de Abril, mais propriamente no dia 26 saí de casa com a minha família sob protecção militar, porque morava perto do edifício da PIDE e eles estavam prontos para atacar. Na véspera ouvi os tiros que mataram as poucas vítimas de uma revolução de cravos… Ainda hoje lhes recordo os gritos!

E agora dou comigo a meditar como foi que perdemos todos os sonhos e chegamos a este ponto?

Que País é este de que tanto gosto mas que deixamos estragar tudo?

Só consigo pensar que a culpa é nossa. Deixamos levar-nos por palavras de boas intenções mas que escondiam muita outra coisa.

Dizem que há uma geração á rasca? Uma? Não, várias o que é muito pior!

A geração dos jovens licenciados, altamente qualificados como se diz, mas do que eu sinceramente duvido quando vejo os erros que dão na sua língua materna, quando mostram uma total ignorância da nossa história, da nossa cultura e da cultura em geral. Talvez altamente qualificados se entenda pela velocidade com que mandam mensagens de telemóvel e usam as novas tecnologias…

E a geração anterior? A geração que aos 20 anos andava de espingarda no meio do mato, que lutou, matou para não ser morto, que regressou e voltou á luta casou, teve filhos, comprou casa, trabalham alguns desde os 14, 15 anos, educou os filhos que hoje se intitulam “geração à rasca” mas que tiveram todas as mordomias, geração que agora esperava a reforma para finalmente descansar e ela lhes foge entre os dedos porque aumentou a idade da reforma e os filhos continuam em casa?

Geração que tem que continuar a trabalhar e não consegue dar apoio aos pais, aos sogros? Não está esta geração também á rasca? Se não lhe querem também chamar geração á rasca poder-se-á, talvez até seja mais apropriado, chamar-lhe geração sanduíche porque na verdade está entalada entre os pais e os filhos, quando não também os netos!

País, para onde caminhas tu se nós não mudarmos o rumo á nossa vida?

País sem Justiça, sem Saúde, sem Educação, sem Moral, sem Princípios mas que vai ter um TGV para Madrid quando eu na EasyJet compro um bilhete de ida e volta por 20 euros!

Temos que pensar até Junho mas pensar com a NOSSA cabeça!
 Isto tem que mudar!