terça-feira, 27 de dezembro de 2011

História de uma boneca

Era uma criança franzina, um pouco alta para a idade. Na escola primária era a melhor aluna. Nunca causou qualquer problema com as outras crianças mas não tinha grande popularidade. Era mesmo vista com alguma indiferença e posta um pouco à parte. Não brincava na rua nem tinha grandes amizades.
Talvez fosse essa a razão pela qual era a menina bonita da professora. A Dona Sílvia mostrava os seus cadernos como um exemplo a ser seguido. A letra era certa, arredondada, bonita. Aprendeu a ler com facilidade e as contas eram resolvidas rapidamente.
A caminho da escola havia, do outro lado da rua, um Bazar que vendia de tudo um pouco. Nas duas montras maiores havia sempre brinquedos que exerciam sobre a criançada um grande fascínio mas ela estava proibida de atravessar a rua.
De todas as vezes que a mãe lhe perguntava se queria ir ao Mercado com ela a resposta era sempre afirmativa. Sabia que, a caminho do Mercado, ficava o Bazar de S. Paulo. Pedia á mãe para lhe deixar ver a montra e ali ficava a olhar tanto tempo quanto lhe fosse permitido.
Um dia, o Natal começou a aproximar-se e as montras foram decoradas com luzes coloridas que apagavam e acendiam.
Um das montras tinha todo o tipo de coisas para gente adulta, ferramentas, pequenos aparelhos, coisas que não lhe interessavam mesmo nada mas a outra montra era uma perdição. Carrinhos, bonecas, panelinhas,
pequeninas mobílias, piões, jogos e sei lá que mais…
De cada vez era mais difícil descolar o nariz da montra. As bonecas eram todas bonitas mas havia uma muito especial. Não era de papelão como estava habituada a ter nem tão pouco de porcelana como as da prima que tinha um pai rico mas que não a deixava brincar porque se partiam… Era feita de uma outra coisa que ela não sabia bem o quê e tinha cabelo! Uns caracóis longos e brilhantes lindos num castanho dourado e uns olhos azuis! Disseram-lhe que abria e fechava os olhos quando se deitava e que chorava. Um verdadeiro tesouro quando comparada com as suas bonecas de cartão! Era linda de morrer com um vestido de veludo vermelho escuro e até tinha sapatos!
Escusado será dizer que quase sonhava com a boneca todos os dias. Não perdia nunca a oportunidade de olhar a montra. E pensava, será que se eu a pedisse ao Pai Natal ou ao Menino Jesus eles me davam aquela boneca? Um dia encheu-se de coragem e perguntou á Mãe. Tinha a noção que devia ser muito cara pois se até tinha cabelo mesmo a sério! A Mãe respondeu-lhe o que já sabia, era mesmo muito cara mas quem sabe? Como ela se portava bem, talvez, não sabia…
Claro que nos dias seguintes ainda se esforçou mais. Não errava um problema, não dava um erro!
Um dia a boneca desapareceu! Que desespero!
Mãe já não está cá a boneca alguém a comprou!
E a mãe respondeu que era natural porque o Pai Natal já andava a fazer as compras…
As outras continuavam lá mas aquela… Foi-se o sonho! Pronto, já não ia ter aquela boneca nem sequer lhe restava o consolo de olhar para ela.
Chegou finalmente a noite de Natal. Lá foi pôr o sapatinho na chaminé sem esperança, sem fé, convicta que iria lá encontrar um chocolate e talvez uma outra boneca de papelão em que os cabelos não existiam porque eram desenhados apenas e nada mais... Quem sabe também um livro para colorir como tanto gostava.
As noites de Natal são sempre mais longas para as crianças do que para os adultos! Levam um tempo infinito a passar, mesmo quando mal dormem e acordam ainda antes do Sol nascer!
Lá foi do quarto até á cozinha pensando que uma boneca de cartão era melhor que nada!
Milagre! A boneca estava ali! De braços abertos virada bem de frente para ela! Soltou um grito!
Ó Mãe, ó Pai! O Pai Natal trouxe-me a boneca de que eu gostava tanto!
Às escondidas chorou de alegria agarrada á boneca que nunca mais largou! Os pais riam-se com ar feliz!
Santa inocência de uma criança que acreditava no Pai Natal e nos milagres do Menino Jesus!
Ainda hoje, não há Natal em que não se lembre de tamanha alegria.
Hoje sabe que aquela boneca custava uma pequena fortuna naqueles tempos.
Hoje sabe que os Pais fazem tudo pelos seus Filhos.
A boneca ainda existe, já sem caracóis, cabelos lisos de tanto ser penteada, uma sombra do que foi mas companheira de tantas brincadeiras.
Um dia talvez seja restaurada porque uma Amiga de tantos anos não merece acabar assim…
Nota: Imagens retiradas da Internet

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro de 1910 no Rossio em Lisboa



Esta era a fotografia que exercia um certo fascínio em mim. Estava na sala em lugar bem visível. Eu era bem pequena, andava na escola mas ainda não estudava história. Diziam-me que era uma fotografia do meu avô, o pai do meu pai.
Coisa esquisita mesmo, era que ele mal se via com tantos homens á sua volta tendo até um deles uma espingarda levantada bem alto! Bem, isso não devia ser grave porque eles estavam todos com ar feliz, pensava eu com a minha mentalidade infantil!
Depois olhava para ele e não o achava muito parecido, eu ainda não percebia que as pessoas envelhecem e mudam. Ele ria-se quando eu lhe perguntava: És mesmo tu avô?
O tempo passa, nós crescemos, estudamos história e finalmente compreendi! Aquela fotografia tinha sido tirada no Rossio a 5 de Outubro de 1910. O meu avô era republicano!
O certo é que havia lá por casa uma fotografia em que, ele e outros, estavam com o rei D. Carlos e eu sabia que ele tinha trabalhado para o Marquês de Pombal de quem era muito Amigo e com quem me cruzava quase todos os dias quando vinha da escola!
Muito mais tarde, já adulta e interessada no assunto, entendi que politica e Amigos não se devem misturar se os queremos conservar.
Percebi ainda que havia monárquicos, como o Visconde da Ribeira Brava que também está na foto, com ideias republicanas assim como hoje ainda temos quem defenda a Monarquia…
E hoje, porque é dia 5 de Outubro, publico mais uma foto de que falo sendo que voltarei ao assunto com outras fotos antigas como a que se encontra abaixo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Internacional dos Direitos dos Animais



Hoje é o Dia Internacional dos Direitos dos Animais.
Quando pensamos nisto, a nossa mente pensa nos animais domésticos mais comuns, como o cão, o gato, o passarinho que canta na gaiola ou até no peixinho vermelho que se encontra no aquário e a quem damos comida uma vez por dia.
Ter um animal doméstico em casa envolve despesa, trabalho, disponibilidade. A decisão de o ter ou não requer reflexão e não deve ser tomada sem medir todas as consequências. Há que pensar no que se faz nas férias, se há ou não amigos ou familiares disponíveis para dar uma ajuda, nas doenças, nas vacinas, na reprodução. Há ou não tempo para brincar, mimar e educar?
No caso dos cães é preciso não esquecer que são sempre o reflexo daquilo que os donos fizeram deles e de como os educaram. Conheci um Rottweiler, que via com muito pouca assiduidade, mas que no entanto tinha por mim uma grande empatia e que me demonstrava o seu afecto correndo para mim sempre que me via. Quando eu me fazia desentendida ele encarregava-se de me fazer notar a sua presença metendo as minhas mãos dentro da sua enorme boca sem nunca magoar!
Mas hoje é o dia de TODOS os animais.  
E como todos os animais também são seres vivos, existe uma declaração que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela UNESCO, e posteriormente, pela ONU que passo a transcrever:

Artigo 1º
1. Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.


Artigo 2º
1.
Todo o animal tem o direito de ser respeitado.
2. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais ou de os explorar, violando esse direito. Tem a obrigação de empregar os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3. Todos os animais têm direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.


Artigo 3º
1. Nenhum animal será submetido a maus tratos nem a actos cruéis.
2. Se a morte de um animal é necessária, esta deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.


Artigo 4º
1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e a reproduzir-se.
2. Toda a privação de liberdade, incluindo aquela que tenha fins educativos, é contrária a este direito.


Artigo 5º
1. Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente em contacto com o homem, tem o direito a viver e a crescer ao ritmo das condições de vida e liberdade que sejam próprias da sua espécie.
2. Toda a modificação do dito ritmo ou das ditas condições, que seja imposta pelo homem com fins comerciais, é contrária ao referido direito.


Artigo 6º
1. Todo o animal que o homem tenha escolhido por companheiro, tem direito a que a duração da sua vida seja conforme à sua longevidade natural.
2. O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.


Artigo 7º
1. Todo o animal de trabalho tem direito a um limite razoável de tempo e intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.


Artigo 8º
1. A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentações médicas, cientificas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentação.
2. As técnicas experimentais alternativas devem ser utilizadas e desenvolvidas.


Artigo 9º
1. Quando um animal é criado para a alimentação humana, deve ser nutrido, instalado e transportado, assim como sacrificado sem que desses actos resulte para ele motivo de ansiedade ou de dor.


Artigo 10º
1. Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem.
2. As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.


Artigo 11º
1. Todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida.


Artigo 12º
1. Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um crime contra a espécie.
2. A contaminação e destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.


Artigo 13º
1. Um animal morto deve ser tratado com respeito.
2. As cenas de violência nas quais os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se essas cenas têm como fim mostrar os atentados contra os direitos do animal.


Artigo 14º
1. Os organismos de protecção e salvaguarda dos animais devem ser representados a nível governamental.
2. Os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem.
E não se esqueça que:

O dinheiro comprará um lindo cão, mas jamais comprará o abanar do seu rabo .
Henry Wheeler Shaw


A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.
Mahatma Gandhi

terça-feira, 21 de junho de 2011

Santos Populares

     
A minha infância foi vivida numas águas furtadas da Rua do Alecrim. Na época era uma rua que nada tem a ver com o que por lá se passa hoje.

De quando em quando passava um eléctrico, um carro e havia pouca gente que nunca parecia apressada.

Quando comecei a ir á escola fui acompanhada nos primeiros dias.

Algum tempo depois, passei a ir sozinha cheia de importância e responsabilidade, descendo a rua sob a vigilância da minha mãe que se mantinha à janela, até eu dobrar a esquina ao fundo da rua e lhe desaparecer da vista.

Daquela janela via-se o rio, os barcos para Cacilhas. Mais tarde, em Maio de 1959, passou a fazer parte da paisagem o Cristo Rei e em Agosto de 1966 a Ponte sobre o Tio Tejo.

Hoje, já não há eléctricos, os carros fazem filas compactas, os autocarros esforçam-se na subida poluindo o ar, há passagens para peões, deixou de se ver a ponte porque um prédio cresceu em altura sem respeito pelos vizinhos. O Cristo Rei, esse ainda se deixa ver um bocadinho, de braços abertos, parecendo diminuído na sua importância.

As pessoas, essas então, quase correm para baixo e para cima por vezes arriscando a vida passando entre os carros para poupar tempo e não perderem o comboio ou para não chegarem atrasadas ao emprego. Hoje é preciso conservá-los…

Na minha meninice ainda havia gente a morar naquela rua. Havia pouca mas havia!

Em frente da minha janela, do outro lado da rua, havia crianças a brincar na rua. Invejosa, eu olhava da janela desejando também ter a possibilidade, que nunca tive, de brincar na rua.

Quando vinham os Santos Populares era um suplício.

Alguns dias antes do Santo António já as crianças montavam o trono do Santo. Manjericos, santinhos, cada um tentando fazer o trono mais bonito! Depois pediam um tostãozinho para o Santo António! E as pessoas paravam, olhavam e davam!

Eu sofria porque não me deixavam ir para a rua fazer um trono ao Santo António. Como era envergonhada pensava que não seria capaz de ir pedir mas que se pudesse fazia um trono tão bonito que ninguém ia resistir e ao fim do dia eu teria uma fortuna! Não me lembro para que queria o dinheiro! Talvez para um chocolate…

Depois cresci, as crianças foram-se embora, eu também e nunca mais vi tronos ao Santo António!

Foi por isso que há uns dias, em Guimarães, parei extasiada a olhar uma montra. Tinha um trono feito ao Santo António decorado com Santinhos cujas imagens continuam bem presentes nas minhas memórias de infância.

Não resisti a fotografar. Não resisti a partilhar, com quem tem a paciência de me ler, as memórias que acordaram em mim!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

1 de Junho - Dia da Criança em Portugal



O Dia Mundial da Criança é comemorado em Portugal no dia 1 de Junho, porém, esta data varia de país para país.

A ONU reconhece como Dia Universal da Criança o dia 20 de Novembro, data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança, sendo verdade que este dia foi comemorado, pela primeira vez, no mundo inteiro a 1 de Junho de 1950.

É desnecessário referir aqui todos os direitos da criança.

Eu diria apenas que toda a criança nasceu para ser protegida e amada, independentemente da sua raça, cor, sexo, língua, religião, riqueza e da sua condição social ou da sua família.

Mais do que falar dos direitos da criança deveríamos falar das nossas obrigações. E essas são tantas vezes esquecidas. Não chega cuidar das “nossas” crianças é preciso que cuidemos daquelas que estão, por vários motivos, desprotegidas.

Quantas crianças desaparecem sem deixar rasto? Quantas crianças são mortas pelos seus progenitores? Quantas crianças são violadas?

Quantas crianças morrem de fome, vítimas de guerra ou falta de protecção na saúde enquanto eu escrevo este texto?

É para tudo isso que devemos estar atentos e observadores.

É preciso não esquecer que aquilo que se passa na casa do vizinho do lado nos diz respeito se atenta contra os direitos da criança.

Por vezes precisamos de ter coragem!



sábado, 7 de maio de 2011

A Igreja que resistiu e o Sino da Esperança




 

A 11 de Setembro de 2001 a Igreja de St. Paul escapou milagrosamente á destruição quando os edifícios do World Trade Center eclodiram. Apesar dos destroços que cobriram o cemitério e o pó que cobriu a Igreja não houve danos materiais.
Quem visita esta capela dificilmente fica indiferente á carga emocional que ali está presente. É quase impossível que uma lágrima não nos caia pela face.
Foi ali que funcionou, com inúmeros voluntários, o ponto de apoio de todos os que trabalharam arduamente e dias a fio no resgate das vítimas.
Havia sempre uma refeição quente, um sumo, uma água, um sítio para estender o corpo e dormir um pouco. Ali cruzavam-se afectos e solidariedade no pleno sentido da palavra.
Numa altura em que Bin Laden foi morto e em que o terrorismo de Al-Qaeda sofreu uma derrota parece-me justo deixar aqui uma homenagem a todos os inocentes que morreram naquela altura.
Faço-o, com algumas fotos que tirei no local e deixando um link que sobre o assunto vos dirá muito mais do que eu, porque é sempre bom não esquecer e estar preparado para eventuais e novas atrocidades.
Recordo ainda que, em Setembro de 2002, a Igreja de St. Mary-le-Bow de Londres ofereceu á sua Igreja Irmã e como comemoração o Sino da Esperança.
Sinceramente espero que o Sino seja para sempre o simbolo de uma esperança renovada da vitória do Bem sobre o Mal.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dia Internacional do Café



Hoje poucos saberão, e eu confesso também não sabia, mas é o Dia Internacional do Café.

Para quem, como nós, está mergulhado em notícias de crise é extremamente importante recordarmos que ainda temos no nosso País coisas positivas.

A 28 de Março de 1931 nasceu em Campo Maior, no seio de uma família humilde, um homem que deveria servir de exemplo a muito boa gente.

Gente que anda por aí, sem valores e desbaratando riquezas que, a maioria das vezes nem sequer lhes pertence, contribuindo para que estejamos de mão estendida pedindo uma ajuda internacional que, sinceramente, a mim me envergonha.

E envergonha-me porque afinal trabalhei tanto quanto me foi pedido, cumpri e cumpro todas as minhas obrigações fiscais, não dispendo mais do que posso e por isso me faz uma grande confusão que em tempos de crise se gaste mais do que se produz... Mas adiante que me estou a desviar do assunto…

Falava eu de Manuel Rui Azinhais Nabeiro um Homem, daqueles com H grande, que hoje é Comendador mas que aos 13 anos começou a trabalhar ajudando a sua mãe numa pequena mercearia e o seu pai e tios na torra do café. Depois da morte do seu pai assumiu a rédea dos negócios e em 1961 constituiu a Delta Cafés que rapidamente se expandiu e divulgou por aí fora o nome de Portugal.

Respeitado por todos, teve sempre uma intervenção activa na sociedade apoiando instituições sociais de solidariedade, tendo sido inclusivamente Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior.

E é em Campo Maior que existe o único Museu do Café da Península Ibérica que merece uma visita que se termina saboreando um excelente café.

Neste museu podemos conhecer toda a história desde a plantação da planta  assim como os vários processos que o grão vai sofrendo até chegar ao sublime momento em que cheira agradavelmente na nossa chávena.

Encontramos, devidamente recuperada, a primeira carrinha de distribuição dos cafés Delta, no meio de moinhos, chávenas, latas e tudo quanto se utiliza neste milagre de prazer que é o nosso café Delta.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Portugal, Portugal estou farta de música rasca...


Hoje, na primeira página do Diário de Noticias, Passos Coelho afirma: Este pedido de ajuda faz-se para que os portugueses vivam com menos angústia.

Pouco mais abaixo sob o título Medidas, diz-se: Salário mínimo vai sofrer corte ou estagnar até 2014.

Terei aqui que afirmar que não pertenço nem sou militante de nenhum Partido Politico. Nunca participei numa manifestação. Gosto mais de as observar.

Fiquei assim quando antes do 25 de Abril de 1974 me vi, involuntariamente, no meio de uma manifestação de estudantes e de polícia de choque armada e com cães de dentes afiados! Ainda hoje estou para saber como o cão mesmo ao meu lado não me deu uma dentada e o polícia não fez uso da força.

Mais tarde, aquando do 25 de Abril, mais propriamente no dia 26 saí de casa com a minha família sob protecção militar, porque morava perto do edifício da PIDE e eles estavam prontos para atacar. Na véspera ouvi os tiros que mataram as poucas vítimas de uma revolução de cravos… Ainda hoje lhes recordo os gritos!

E agora dou comigo a meditar como foi que perdemos todos os sonhos e chegamos a este ponto?

Que País é este de que tanto gosto mas que deixamos estragar tudo?

Só consigo pensar que a culpa é nossa. Deixamos levar-nos por palavras de boas intenções mas que escondiam muita outra coisa.

Dizem que há uma geração á rasca? Uma? Não, várias o que é muito pior!

A geração dos jovens licenciados, altamente qualificados como se diz, mas do que eu sinceramente duvido quando vejo os erros que dão na sua língua materna, quando mostram uma total ignorância da nossa história, da nossa cultura e da cultura em geral. Talvez altamente qualificados se entenda pela velocidade com que mandam mensagens de telemóvel e usam as novas tecnologias…

E a geração anterior? A geração que aos 20 anos andava de espingarda no meio do mato, que lutou, matou para não ser morto, que regressou e voltou á luta casou, teve filhos, comprou casa, trabalham alguns desde os 14, 15 anos, educou os filhos que hoje se intitulam “geração à rasca” mas que tiveram todas as mordomias, geração que agora esperava a reforma para finalmente descansar e ela lhes foge entre os dedos porque aumentou a idade da reforma e os filhos continuam em casa?

Geração que tem que continuar a trabalhar e não consegue dar apoio aos pais, aos sogros? Não está esta geração também á rasca? Se não lhe querem também chamar geração á rasca poder-se-á, talvez até seja mais apropriado, chamar-lhe geração sanduíche porque na verdade está entalada entre os pais e os filhos, quando não também os netos!

País, para onde caminhas tu se nós não mudarmos o rumo á nossa vida?

País sem Justiça, sem Saúde, sem Educação, sem Moral, sem Princípios mas que vai ter um TGV para Madrid quando eu na EasyJet compro um bilhete de ida e volta por 20 euros!

Temos que pensar até Junho mas pensar com a NOSSA cabeça!
 Isto tem que mudar!

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo


No dia 2 de Abril assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.

O autismo é uma grave perturbação de desenvolvimento da criança, que se prolonga durante toda a sua vida.

Normalmente os seres, dito normais, quando confrontados com a necessidade de lidar com uma criança autista sentem sérias dificuldades porque consideram que é uma criança fechada num mundo muito seu, silencioso e impenetrável.

Verifica-se que, embora o autismo resulte de uma disfunção no desenvolvimento do Sistema Nervoso Central e a investigação indique que factores hereditários e genéticos possam também ter um peso importante, também, a forma como o meio ambiente aceita e lida com estas crianças e jovens são determinantes no seu desenvolvimento e na sua inclusão social.

Existe a Federação Portuguesa de Autismo, (www.ama-autismo.pt) entre outras Instituições Particulares de Solidariedade que nos podem ajudar no melhor entendimento deste problema.
 

Convém ainda lembrar que estas crianças e jovens podem ter um coeficiente de inteligência superior ao normal como aconteceu com Mozart, Einstein, Darwin e Leonardo da Vinci, entre outros.

Todos juntos, compreendendo melhor esta diferença poderemos ser importantes na integração na sociedade dos portadores desta patologia.

Azul, a cor do céu, foi a cor que foi associada a esta patologia.

terça-feira, 22 de março de 2011

Luvaria Ulisses



Tendo falado dos chapéus que se podem encontrar na cidade de Lisboa vamos a mais um acessório. As luvas!

Rumamos então novamente para a Baixa Lisboeta e entramos na Luvaria Ulisses!

Surpreende a decoração com dourados e espelhos em Arte Nova que remonta aos anos 20 do século passado, claro!
A "Ulisses" é a única loja do País com confecção própria e onde se encontra nada mais nada menos que sete tamanhos de luvas e de todas as cores.

Sairá de lá a comentar: Calça que nem uma luva!

Escusado será pensar em levar um grupo de amigos para ajudar na escolha porque não cabem lá mais que dois ou três!

Compare as imagens incluídas neste texto e depois não diga que não foi um bom conselho! Imagine que estava a chover e não tinha chapéu de chuva!



segunda-feira, 21 de março de 2011

A Primavera...



Hoje, para nós que vivemos no Hemisfério Norte, chegou a Primavera! Chegou cheia de Sol e razoavelmente quente.

Por quanto tempo? Bem, ela fica por cá até 21 de Junho mas o futuro nos dirá como ela se vai comportar. Esperemos que não nos faça andar sempre de gabardine e botas e além do sempre incómodo chapéu-de-chuva.

A Primavera traz-nos flores de mil e uma cores e cheiros múltiplos. Traz-nos as andorinhas e já tive a oportunidade de confirmar que elas já por aí andam.

Eu gosto da Primavera e do que ela nos traz. Talvez seja apenas uma impressão minha mas parece-me que na Primavera as pessoas aparentam ser mais felizes.

Será que o são?

terça-feira, 15 de março de 2011

As Mulheres e a Guerra


A 15 de Março de 1961 começou a Guerra Colonial!
Passaram-se 50 anos e os que a viveram não estão esquecidos disso. Nem podem estar porque o horror de uma guerra não se esquece nunca!
O Sr. Presidente da Republica prestou hoje homenagem aos cerca de 9000 jovens que nessa guerra perderam a vida. Trata-se, quanto a mim, de uma homenagem que se reveste de muito pouco significado.
Porquê?
Porque, para além dos que morreram, muitos ficaram estropiados fisicamente e o Estado pouco ou nenhum apoio lhes deu. Uma pensão de guerra e que mais? Que dinheiro paga uma perna, a cegueira, um braço, o sofrimento fisico de uma vida inteira?
Outros ficaram estropiados mentalmente, também os há e infelizmente muitos, que ainda acordam de noite em sobressalto, ou que se tornaram alcoólicos, outros são violentos, outros sem-abrigo, outros incapazes para o trabalho, outros vivem sozinhos porque a família não conseguiu combater os seus fantasmas e ajudá-los.
O estudo de uma médica do Hospital Militar de Coimbra Luísa Sales, apresentado no âmbito de um Congresso Nacional de Psiquiatria e Saúde Mental, conclui que, em determinados indivíduos os sintomas revelaram-se no decorrer do cumprimento do serviço militar, mas registaram-se também manifestações 30 anos depois.
E que apoio lhes deu o Estado para o stress pro-traumático? Anos de espera por uma consulta que, por vezes, nunca chegou…
E é só? Não, não é!
Porquê?
Porque ao lado desses homens vivem as suas mulheres e os seus filhos que nunca foram á Guerra mas que a vivem todos os dias.
Um outro estudo, apresentado por João Monteiro Ferreira, analisou uma amostra de 91 veteranos de guerra e de 58 mulheres de alguns deles.
Deste grupo, com elementos pertencentes a tropas especiais que efectuaram serviço em África, 66% revelaram sintomas de stress pós-traumático, enquanto 78% das mulheres são portadoras de condições de stress pós-traumático secundário.
E falo aqui de estudos nacionais para não falar dos Americanos que nessas coisas são largamente experientes.
Portanto hoje, deixo aqui a minha homenagem a todos os Combatentes das nossas ex-Colónias mas, e principalmente, a todas as Mulheres e Filhos de ex-Combatentes que ainda hoje sofrem por si e por eles! É que se os primeiros são esquecidos muito mais o são estes!
As imagens que acompanham este texto foram obtidas no Cemitério de Nacional de Arlington no Estado da Virgínia, o mais conhecido cemitério militar dos Estados Unidos da América.  

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dúvidas Existenciais...


Confesso que ainda hoje não sei se acredito em Deus. Umas vezes sim, outras vezes não...
São tantas as dúvidas que me assaltam quando colocada perante situações que considero injustas para o ser humano que não sou capaz de ter certezas!
Não é injusto morrerem crianças á fome?
Não é injusta a guerra para os civis?
Não é injusto os pais perderem os seus filhos?
E o tremor de terra no Japão, não é injusto?
Que forças, que lógicas?  
Um dia de manhã, não muito distante, a questão colocou-se-me de novo.
O comboio estava cheio. A crise fez aumentar o número de passageiros de todos os dias.
Uma senhora jovem com uma menina ao colo pediu um dos lugares reservados. Sentou-se. Pelo tamanho da criança pensei que teria uns sete anos um bocadinho grande para ir ao colo, pensei eu.
Calhou-me ficar logo ali.
A menina tinha o cabelo loiro preso com uns ganchinhos azuis. Azul como o vestido com florinhas cor-de-rosa.
Subitamente por detrás de uns óculos, uns olhinhos muito azuis olharam para mim. As mãos abertas estenderam-se para me tocar.
O coração gelou. Percebi claramente que aquela era uma criança diferente. Aqueles olhos azuis eram lindos.
A mãe deu-lhe para as mãos um boneco azul e creme muito fofo, como os que se dão aos bebés. Estendeu-mo. Fiz-lhe uma festa. A mãe ia movimentando o boneco numa chamada de atenção.
Voltei a fazer-lhe festas nas mãos e comecei também a brincar com o boneco.
Numa voz calma e sumida a mãe disse-me que desde bebé que ela gostava muito de festas nas mãos. Sorri e continuei. O coração aquecia.
Fizemos a viagem até Sete Rios nesta união. Aí a mãe levantou-se para sair com ela ao colo no meio daquele mar infinito de gente. Disse-me então, com a voz mais forte, Muito Obrigada!
Sentei-me e olhei lá para fora. A mãe colocou-a no chão e ela lá foi, caracóis loiros ao vento.
Senti-me bem. Felizmente ela tinha capacidade para andar, felizmente eu tive, pela primeira vez, capacidade para interagir com uma criança deficiente. Felizmente aquela mãe teve, provavelmente também pela primeira vez uma pessoa que tratou a sua filha como igual a todas as outras...
Passei anos a achar que se tivesse que lidar com uma criança diferente ia chorar todos os dias.
Hoje sei que perdi o medo de lhes tocar e principalmente de magoar quem as tem.
Subindo as escadas do Metropolitano com destino ao trabalho pensei que, afinal, talvez  Ele exista mesmo.
Deus escreve direito por linhas tortas, diz o Povo...
Mentalmente agradeci a Deus ter colocado no meu caminho um filho lindo e perfeito do qual tenho um orgulho imenso...
Como aquela mãe gostaria de ter a mesma alegria!
Depois pensei que Deus se devia estar a rir dos meus pensamentos… É que, na verdade, que bem me sabe estar sentada no silêncio de uma Igreja!

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Filoxera e os Chapéus



Chapéus há muitos! Quem não se lembra desta frase?
E onde, onde?
Chapéus, boinas, bonés, toucas, cartolas, para todos os gostos, preços e tamanhos! E se não há o tamanho ou a cor preferida também não tem crise! Eles fazem e é só uma questão de tempo...
E tudo por causa de um ataque de filoxera!
Filoxera, sim! A praga que, na zona da Régua, devastou impiedosamente as vinhas e que fez o vinicultor Manuel Aquino Azevedo Rua mudar-se para Lisboa e abrir uma chapelaria no Rossio em 1886!
Desde D. Carlos I até D. Duarte Pio, desde Jorge Amado, Mário Soares, Mestre Baptista, João Ribeiro Telles ou Jô Soares muitos são os ilustres que já passaram por esta casa de que vos falo.
Vá até lá e encontrará o seu chapéu, mas se preferir, pode antes comprar uma bengala, um cinto ou uns suspensórios que também os há por lá!
Todavia, não saia sem antes admirar, numa das prateleiras, uma garrafa de vinho especial, com mais de um século, ligação ao passado do fundador da chapelaria!
E quem não enfiou já um grande barrete?
Melhor será não falar disso, mas por ali pode ficar tranquilo, há qualidade, algo que começa a escassear por este nosso pequeno País.
E mais não digo...


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Alberto Eduardo Estima de Oliveira (1.07.1934-1.06.2008)

Há dias fotografei em Lisboa, no Chiado, a estátua de Fernando Pessoa e deixei que a sua poesia falasse por mim.
Hoje falo de um Amigo que transformava as palavras em poesia. Poesia que foi traduzida para chinês e inglês.
Um Amigo que nunca dizia adeus porque no seu dicionário essa palavra não existia. Quando nos despedíamos era sempre com um até breve... 
Um Amigo com quem aprendi que as pessoas não desaparecem. Eles ficam connosco para sempre no nosso coração. Hoje sei que é assim porque me lembro todos os dias dos que amei e já partiram.
Um Amigo que me ouvia e partilhava comigo com extrema simplicidade momentos de alegria e boa disposição. Confesso que tenho uma grande saudade desses momentos. 
Não lhe pesavam os livros publicados e as distinções alcançadas.
Um Amigo que  sofreu muitos reversos da Vida mas que me pedia sempre para eu não me esquecer de ser feliz!

Olhar o sol                    
não
o sol

que me
olhe a mim
do alto da
sua grandeza.
 
eu fico
por aqui
olhando
a terra
onde germina
minha própria fraqueza 

                       extraído de "Infraestruturas"
 
 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa


Hoje resolvi ceder este espaço a Fernando Pessoa, espaço que fica na minha opinião, muito bem entregue.
Como habitualmente a foto foi tirada por mim, um dia destes, enquanto descia o Chiado.

                                          Isto

                                          Dizem que finjo ou minto
                                          Tudo que escrevo. Não.
                                          Eu simplesmente sinto
                                          Com a imaginação.
                                          Não uso o coração.

                                          Tudo o que sonho ou passo,
                                          O que me falha ou finda,
                                          É como que um terraço
                                          Sobre outra coisa ainda.
                                          Essa coisa é que é linda.

                                          Por isso escrevo em meio
                                          Do que não está de pé,
                                          Livre do meu enleio,
                                          Sério do que não é.
                                          Sentir? Sinta quem lê!

                                                               Fernando Pessoa


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia dos Namorados

Afinal que dia é este dedicado aos namorados, apaixonados ou talvez não?

A lenda diz que S. Valentim, o dos namorados, viveu no século III e seria um bispo que acabou por morrer apaixonado pela filha do carcereiro que era invisual.

Verdade, mentira, sei lá eu! Porque na verdade, segundo a Igreja Católica, existem mais santos, chamados de Valentim.

Mas afinal, há paixões eternas? Segundo um estudo norte-americano isso é só conversa porque esse estado de alma é provisório e dura apenas entre 18 a 30 meses! Conclusão, ninguém vive eternamente apaixonado!

Há quem diga que não é bem assim. Talvez tenham razão… não se diz também que não há regra sem excepção?

E ainda há quem acrescente que o Amor é apenas uma questão química! Outros apenas uma necessidade física!

Sabem que mais? Eu, por mim, uma coisa tenho certa, gosto de amores-perfeitos e dos postais antigos da minha avó!

Um dia conto-vos a história da minha avó e ponho aqui mais postais antigos!




domingo, 13 de fevereiro de 2011

São rosas Senhor, são rosas!

Quando se dirigia ao Mosteiro de Santa Clara Dona Isabel de Aragão casada com o rei D. Dinis, conseguiu quando interpelada por este, o milagre de transformar em rosas a prata e o ouro que levava no seu manto para dar aos pobres.

Era Janeiro, como poderia haver rosas em Janeiro? Só mesmo com um milagre por isso passou a ser conhecida como a Rainha Santa Isabel!

D. Isabel nasceu em Saragoça ou Barcelona entre 1269 e 1270 e faleceu em Estremoz a 4 de Julho de 1336, vitima da peste, estando enterrada no mosteiro de Santa Clara em Coimbra.

Mandou construir o Hospital de Coimbra, o de Santarém e o de Leiria. Nesta cidade fundou, também, um recolhimento para mulheres e ainda uma albergaria em Odivelas.

Mera coincidência, ou talvez não, D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325.

Janeiro é o primeiro mês do ano, frio e chuvoso, meteorologicamente falando, mas se isso se suporta com mais uma camisola e um chapéu-de-chuva, este ano foi também o mês em que os nossos impostos subiram e os vencimentos desceram.

Todos, com excepção dos ricos, sentem na pele um frio que não se sabe quando termina!

Que falta nos faz agora a rainha Santa Isabel para fazer um milagre contrário ao que contribuiu para a sua canonização em 1625!

Conseguiria ela transformar em prata e ouro o molho de rosas que todos nós, de boa vontade, colocaríamos no seu regaço?

Aqui deixo as minhas!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

La Vie en Rose

Hoje o texto não é meu, nem a mensagem que transmito.
Minha apenas a fotografia tirada nos Estados Unidos. Ela pretende ser uma homenagem a quem sofre, sofreu ou morreu de cancro. Para quem sobrevive, a Vida nunca mais é igual.
Essa homenagem estende-se ao Mundo porque, infelizmente, a doença é cega e universal.
Daí a escolha de uma foto tirada do outro lado do Atlântico na modesta pretensão de simbolizar, através da distância, essa imensidão...


No dia 27 de Fevereiro, o Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) promove um espectáculo musical intitulado “La Vie en Rose”. 

Esta iniciativa vai decorrer no Centro de Artes e Espectáculos, na Figueira da Foz, e tem início previsto para as 17 horas. As sopranos Inês Santos e Ana Diniz, o Grupo de Cavaquinhos do Louriçal e o grupo de teatro 7VIDAS são alguns dos nomes que fazem parte do programa desta iniciativa.

O preço de cada bilhete é de 5 euros e as receitas do espectáculo revertem para o Núcleo Regional do Centro da LPCC.

Programa:

Inês Santos - voz
Ana Diniz - voz
Fernando Falcão - piano
Luís Martins - acordeão
Luís Miranda - guitarra
Grupo de Cavaquinhos do Louriçal
7VIDAS - teatro negro

Para mais informações:
70anos@ligacontracancro.pt

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Correio Normal ou Azul?



Quantos dias leva, se for correio normal? E se for azul?
Afinal a diferença está na urgência…

Pois para mim, eu gostaria mais que dependesse do tipo de notícia! E até gostava de fazer uma lei mais ou menos assim:
Cartas de despedimento, cartas a falar de doenças, cartas do Banco a lembrar dívidas, cartas de penhoras, cartas de despejo,  cartas a acabar namoros ou casamentos, cartas a contar coisas tristes, era tudo Correio Normal!
Cartas para Amigos distantes a contar novidades e a matar saudades, cartas a comunicar nascimentos, casamentos, felicidade, cartas de Amor essas, sendo de boas notícias, obrigatoriamente tinham que seguir em Correio Azul!
Azul cor do céu e do mar, quem não gosta de azul, quem não gosta de cartas de Amor, quem não gosta de saber que alguém está feliz?
Mas o que eu gostava mesmo, mesmo, era de acabar com o Correio Normal!
Os marcos do correio são bonitos assim lado a lado, vermelhos e azuis, espalhados pelas ruas de Lisboa, mas os vermelhos bem podiam ficar vazios que ninguém se ia zangar, pois não?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sardinheiras na esquina


Quando eu era pequena na varanda da janela do meu quarto, no centro de Lisboa, havia sempre sardinheiras.
A minha mãe trocava pés de sardinheiras com as minhas tias para que as houvesse de muitas cores. Havia vermelhas, rosa, salmão, lilases, matizadas, quase de todas as cores! As mais difíceis de conseguir eram as brancas!
Naquela altura, Lisboa era uma cidade florida, as sardinheiras coloriam os prédios e as vizinhas disputavam entre si a habilidade de conseguir ter a janela mais bonita.
A vida corria devagar, havia mais tempo, as mães ficavam em casa a cuidar das suas crianças…
Hoje a vida corre depressa sem tempo para as sardinheiras…
Tenho saudades de ter uma janela com varanda. Voltava a ter sardinheiras para colorir os meus dias cinzentos…
Uma esquina com sardinheiras é sempre bonita mas já é coisa rara por aí.